Terça-feira, Outubro 27, 2009

Tango nº 1

mwk_1972_interior2
Diseño de Michael W. Kaluta, 1972


(Da série — A Ilustração por Ilustradores)


"No olvide usted, señora, la noche en que nuestras
almas lucharam cuerpo a cuerpo". Francisco de Aldana,

por aly . 3:36 AM .

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

ANTONIO-MARIA.jpg
Antônio Maria — História da Música Popular Brasileira Nº. 36: 1971


ANTÔNIO MARIA + VINICIUS DE MORAES

Não era o ritmo que se receita — toda a noite um cooper do Leme ao Posto 6 —
para um cardíaco. Pior: um cardíaco orgulhoso. Uma vez, lá pelas seis da manhã,
depois de cumprir um desses roteiros, Maria saía da última boate com Vinicius
de Moraes, quando cruzaram com um grupo de homens em idade avançada
fazendo ginástica na praia. Julgaram a cena lamentável. Os movimentos, para
quem balançava na água do uísque noturno, pareciam ridículos. Os calções,
pateticamente coloridos. O professor, barrigudo.

— Vamos fazer um pacto, sugeriu Maria, em tom grave.
— Juramos neste momento que jamais participaremos de uma calhordice como
a desses sujeitos. Jamais faremos qualquer esforço físico desnecessário. Topa?

Diante da aprovação de Vinicius, apertaram-se as mãos, lançaram um novo
olhar para os velhos ginastas e gritaram juvenis:

— Seus calhordas! Seus calhordas!

In Joaquim Ferreira dos Santos. Um Homem chamado Maria.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2005 ズ


Antonio Maria era brigão, bebia e trabalhava muito — e cardiopata;
cardisplicente, como ele dizia de si mesmo; mas era, principalmente,
um apaixonado por suas mulheres, as que teve na sucessão do tempo.
Para mim, ele morreu de amor aos 42 anos. Esse lado amoroso é revelado
em suas músicas e em suas crônicas, como neste trecho d'abaixo:

"Não há sensação mais curiosa que a de encontrar a ex-namorada pela
primeira vez em companhia de seu atual namorado. Por mais que a gente
lhe olhe o rosto, não lhe vê as feições. É uma mulher sem olhos, sem nariz
e sem boca, que a gente só reconhece pela falta de ar que nos causa sua
presença". Antônio Maria
,

por aly . 2:01 PM .

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

HELMUT-NEWTON-HISTNEW
Foto de Helmut Newton in Big Nudes, 1990 (histérica com sintoma kaiseriano)


HISTERIA

Desde Freud, a psicologia busca uma explicação para a histeria nas teorias da
personalidade volátil, histriônica; a psicanálise a atribue a conflitos edipianos.
Apesar das negativas de que a histeria seja uma enfermidade feminina, as questões
da feminilidade ainda são centrais na teoria psicanalítica. O psicanalista britânico
Gregorio Kohon afirmou que todas as mulheres passam, em seu desenvolvimento
psicossexual, por uma fase histérica em que transferem seus desejos da mãe para
o pai. Segundo Kohon, "no fundo do coração, a mulher permanece uma histérica
para sempre.*

A psicanalista francesa Janine Chasseguet-Smirgel formulou a hipótese da "aptidão
femina para a somatização". As mulheres, declara ela, transformam emoção em
manifestações físicas porque têm sexualidade mais difusa que a masculina. Em vez
de centrar-se num único órgão visível, a sexualidade feminina torna o corpo inteiro
disponível para o simbolismo sexual.**

*Gregorio Kohon. Reflexions of a Dora: The Case of Hysteria. International Journal
of Psychoanalys, 65 (1984): 73

**Janine Chasseguet-Smirgel. The Femininity of the Analyst in Professional Practrice.
International Journal of Psychoanalys, 65 (1994): 169-78.


In Elaine Showalter. Histórias Histéricas: A Histeria e a Mídia Moderna.
Rio de Janeiro: Rocco, 2004. Tradução: Heliete Vaitsman ズ


"No histérico, o medo fundamental é o da rendição psíquica ao objeto. O histérico
obriga seu ambiente a agir sobre ele, ou para ele, mas permanece inacessível a
reciprocidade de um diálogo psíquico e de uma partilha". Jean-Jacques Deschamps,

por aly . 2:12 AM .

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

GORILA-WOMAN-letteri
Arte de John MacAcor: O Gorila e Sua Amada, 1936


Goleada de livros, claro, traz Dawkins

Continua a invasão do mercado editorial, principalmente de língua inglesa, por livros
sobre Charles Darwin; mas no Brasil, por enquanto, poucos chegaram. Além do livro
de Steve Jones, a Record lança em novembro o novo da dupla de biógrafos Adrian
Desmond e James Moore, A Causa Sagrada de Darwin. A Companhia das Letras
anuncia para o mesmo mês outro livro do controverso Richard Dawkins, O Maior
Espetáculo da Terra
. E a Larousse publicou O Jardim de Darwin, de Michael Boulter.

De autores brasileiros, um dos dignos de nota é A Goleada de Darwin, de Sandro de
Souza, também da Record. No exterior, além dos já comentados como Evolution
– The First Four Billion Years
, editado por Michael Ruse e Joseph Travis, e Angels
and Ages – A Short Book About Darwin, Lincoln, and Modern Life
, do jornalista cultural
Adam Gopnik, há incontáveis títulos. Entre eles se destacam pela qualidade Darwin’s
Universe
, de Richard Milner (University of California Press), e Darwin’s Armada, de Iain
McCalman (W. W. Norton & Company).

Daniel Piza, no Estadão de domingo, aqui ۝


Eu sei que nós homens viemos do macaco e sei até mesmo que a
mulher tb veio dele. Mas é preciso ficar falando nisso a toda a hora?,

por aly . 12:10 AM .

Terça-feira, Outubro 06, 2009

castrati_choristers2
The castrati choristers: Fluke, Entwhistle, Catflap and Lozenge in 1886


OS CASTRADOS E AS MULHERES

"Quando já não estivermos cá (os castrados), o
bel canto poderá entoar também o seu Miserere".
Allegri


Já no século XVII, Vittori fazia delirar a multidão nos seus aparecimentos públicos
ou privados: lutava-se para entrar nas igrejas onde cantava e tomavam-se de
assalto os palácios onde atuavam perante a aristocracia. Ferri levantava ondas
de entusiasmos nunca vistas ainda: à sua chegada à Florença, mais de 4
quilômetros antes das portas da cidade, veio ao seu encontro um cortejo para o
acompanhar e o levar em triunfo. Doutra vez, à saída de um espetáculo, um
mascarado (homem ou mulher?) meteu-lhe num dedo um anel provido de uma
esmeralda de valor incalculável.

Para eles, como para seus sucessores, as efusões das damas da nobreza não
tinham limites, lançavam-lhes para o palco coroas de louros, dísticos ou sonetos
inflamados e não andavam sem um retrato do seu castrado favorito sobre o
coração.

Marchesi, a despeito da arrogância dos seus caprichos e do seu cabotinismo, foi
quiçá o cantor mais adulado pelo belo sexo. A sua juventude, beleza, e toda essa
"poeira nos olhos" que ele distribuía com tanta arte punham as mulheres em
estado quase de transe.

Stendhal conta-nos que, em Viena, Marchesi se tornara a mascote da corte: as
damas traziam ao pescoço uma medalha com a sua efígie, uma em cada braço e
duas mais cosidas aos sapatos. Mme. Vigée Lebrun fez um comentário análogo a
respeito de Crescentini: "Enfim, numa palavra, ele substiuiu Marchesi, por quem
todas as romanas estavam loucas, de tal forma que, na última representação que
deu, elas confessavam-lhe alto o seu desgosto: várias choravam mesmo
amargamente, o que se tornou um segundo espetáculo".

In Patrick Barbier. História dos Castrados.
Lisboa: Livros do Brasil, 1991 ■ (fragmento capitular) ズ


"Despira os trajes de teatro e vestia um corpete que desenhava um talhe esbelto
e valorizava a saia de balão do vestido de cetim, bordado com flores azuis. O peito
resplandecia de brancura por entre uma renda que, graciosamente, lhe dissimulava
os tesouros". Honoré de Balzac a descrever Zambinella, um castrato, que seduz um
um escultor francês a visitar a corte romana em 1758, no livro Sarrasine,

por aly . 1:45 AM .



Tudo cabe, mesmo o descabido.
A vida não é um armário.





Desde
14 novembro 2002



falar comigo



Blogues

almanaque
apenas bahia
almocreve das petas
aqui tem coisa
armazém periscópio
assaz atroz
a terceira noite
atire no dramaturgo
a vez do peão
biscoito fino e a massa
blog do emir
blog do mello
bloWg
b-site
caderno de saramago
clave do sul
catarro verde
dadanoias
da literatura
diário gauche
do arco da velha
dudi
ferréz
fotocafé
frenesi::livros
gramatologia
grupo beatrice
homo luddens
icamiaba
inmanencia
insônia
la petite claudine
legendas & etc
luís nassif blog
marcio périgo
ma-schamba
meditação na pastelaria
memória inventada
miniscente
na periferia do império
nas retinas
naxos
nei lopes
observador
óleo do diabo
olhos livres
o silêncio dos livros
pimenta negra
porto::lisboa
pedro doria
Poesia & Lda.
prosa caótica
república do café
riobaldo & diadorim
roserouge absolutely
rua da judiaria
samurai no outono
sapoti da japaranduba
sem pénis, nem inveja
sheila leirner
silêncio
silvia chueire
sorry periferia
sob(re) a pálpebra
teresa-torga
uma geógrafa
varal de ideias
vigna-marú
vi o mundo
xico sá
who killed bambi?



Links

acervo hermínio bello de carvalho
adital
antroposmoderno
artemeditada
asdfg, menezes
beijo da rua
bloco lira da vila
blogmarks
blue bus
brasil de fato
brasilian music
caros amigos
carta capital
carta maior
cifra antiga
cinefagia
contracampo
contratiempo
conversa afiada
correio da cidadania
cosac & naif
cronópios
delicious cimatti's bookmarks
ejército zapatista de liberación nacional
fausto wolff
gafieiras
internet archive
henciclopedia
jangada brasil
júlio medaglia
kinja bsiteblog's mix
la fogata
la gauche
la haine
la insignia
la jornada
mídia latino-americana
minguante
musica brasiliensis
novae
obvious
página/12
piel de leopardo
plínio marcos
projeto releituras
PUCMinas
rebelión
repórter brasil/combate à escravidão
resistir
revista fórum
revuelta
rue89
samba & choro
sin permiso
todo tango
ubu web
ver O poema
voltaire net
WebUrbanist
zezão



Arquivos




Letteri Café
at
The Ten Best Art
And Culture Websites
In The World by
Spank The Monkey





template:
Rossana Fischer