Sexta-feira, Maio 29, 2009
Foto de Jean-Pierre Nouille: Lesbian Knot, 2006
COSMOGONIA
Estirava ligeiramente a coxa
e colocava entre minhas pernas,
e a sua perna esquerda
passava por cima, por fora
da minha coxa direita.
Joan Brossa in Poesia Vista.
São Paulo: Amauta & Ateliê Editorial, 2005.
Seleção e Tradução: Vanderley Mendonça
"Princípio de mobilidade dos centros: A rede não tem centro, ou melhor,
possui permanentemente diversos centros que são como pontas
luminosas perpetuamente móveis, saltando de um nó ao outro,
trazendo ao redor de si uma ramificação infinita de pequenas
raízes, de rizomas, finas linhas brancas esboçando, por um instante,
um mapa qualquer com detalhes delicados; e depois correndo para
desenhar mais à frente outras paisagens de sentido".
Pierre Lévy in As Tecnologias da Inteligência,
por aly . 12:14 AM .
Sexta-feira, Maio 22, 2009
Fotomix de Hydiot Netmann: Homo Webicus avec son Appareil de Twitter, 2009
DA MEDIOCRIDADE
chega-te aos maus
que os fará melhores
chega-te aos bons
que os fará piores
José Paulo Paes in Poesia Completa.
São Paulo: Cia das Letras, 2008
"Medíocre mesnada de medianeiros médios..."
Maiakovski,
por aly . 8:12 AM .
Sexta-feira, Maio 15, 2009
Ilustração de Carlo para o livro de René-Michel Desergy: À Toute Volée.
Paris: Librairie Artistique et Édition Parisienne Réunies, 1936
A PUNIÇÃO GENERALIZADA
O protesto contra os suplícios é encontrado em toda parte na
segunda metade do século XVIII: entre os filósofos e teóricos
do direito; entre juristas, magistrados, parlamentares; nos cahiers
de doléances* e entre os legisladores das assembléias.
é preciso punir de outro modo: eliminar essa confrontação física
entre soberano e condenado: esse conflito frontal entre a vingança
do príncipe e a cólera contida do povo, por intermédio do supliciado
e do carrasco.
O suplício tornou-se rapidamente intolerável. Revoltante, visto da
perspectiva do povo, onde ele revela tirania, o excesso, a sede de
vingança e "o cruel prazer de punir".**
Michel Foucault in Vigiar e Punir. Rio de Janeiro, Vozes, 1977.
(excerto do capítulo)
*Cahiers de Doléances, cadernos dos delegados aos Estados
Gerais de 1789 em que se registravam seus pedidos.
** J. Petition de Villeneuve, Discurso na Constituinte, Archives
Parlamentaires, t. XXVI , p. 641.
Nota d'aly — por outro lado:
Espancamento e sexo (verbete) - termo referente ao espancamento
como forma de estimulação sexual. Estudos mostraram que as
crianças podem ser estimuladas com afagos ou pancadas – o
que poderia ser uma razão para muitas delas 'convidarem' à punição.
As nádegas e a região anal são zonas erógenas, e essa forma de
estimulação pode dar origem a tendências sadistas ou masoquistas.
In Robert Goldenson & Kenneth Anderson. Dicionário de Sexo.
São Paulo: Ática, 1989.
"Concluí, mais tarde, que se há uma coisa tão ruidosa quanto
o sofrimento é o prazer." Marcel Proust em Sodoma e Gomorra,
por aly . 2:20 AM .
Quinta-feira, Maio 07, 2009
Orson Welles e Jeanne Moreau, num fotograma do filme dele, Falstaff, 1965
Todos os personagens que representei, e de quem estamos falando,
são formas variadas de Fausto, e sou contra todos os Faustos, porque
acho impossível um homem ser grande a menos que admita haver
algo maior que ele. Pode ser a Lei, pode ser Deus, pode ser a Arte,
ou qualquer outra concepção, mas deve ser maior que o homem.
Interpretei toda uma linha de egotistas, e detesto o egotismo, o do
Renascimento, o de Fausto, todos os egotismos. Mas, evidentemente,
um ator fica apaixonado pelo papel que faz: é como um homem beijando
uma mulher, dando-lhe algo de si mesmo. Um ator não é um advogado
do diabo, é um amante, um amante de alguém de outro sexo. E Fausto,
para mim, é como um outro sexo.
Para mim, há dois grandes tipos de humanidade no mundo, e uma delas
é Fausto. Pertenço ao outro campo, mas, ao representar Fausto, quero
ser justo e leal em relação a ele, dar-lhe o melhor de mim mesmo e os
melhores argumentos que possa encontrar, já que vivemos num mundo
feito por Fausto.
Nosso mundo é Faustiano.
Conversas com Orson Welles in André Bazin.
Orson Welles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.
— Em todos os seus filmes há de fato muita generosidade.
— Para mim, esta é a virtude essencial. Detesto todas as opiniões
que privam a humanidade do menor de seus privilégios; se uma
crença qualquer exige que se renuncie a algo humano, eu a detesto.
Sou, portanto, contra todos os fanatismos, detesto os slogans políticos
ou religiosos. Detesto qualquer um que pretenda suprimir uma nota
que seja da gama humana: devemos poder sempre fazer vibrar todos
os seus acordes. O. Welles,
por aly . 6:46 AM .
Sexta-feira, Maio 01, 2009
HOLLYWOODIANAS III
Metro Goldwin Mayer Presents: Primo Carnera & Jean Harlow em Bombshell,
no Brasil, 'Mademoiselle Dinamite': dir. Victor Fleming, 1933
Sin palabras,
por aly . 11:56 PM .
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