Sábado, Julho 26, 2008
Avec de:
Na versão rap e aqui com Pete Seeger no banjo, neste blog infantojuvenicida,
por aly . 5:16 AM .
Sexta-feira, Julho 18, 2008
Photo de Phillip Toledano::: Diana de Éfeso
SEI OS TEUS SEIOS
Sei os teus seios.
Sei-os de cor.
Para a frente, para cima,
Despontam, alegres, os teus seios.
Vitoriosos já,
Mas não ainda triunfais.
Quem comparou os seios que são teus
(Banal imagem) a colinas!
Com donaire avançam os teus seios,
Ó minha embarcação!
Porque não há
Padarias que em vez de pão nos dêem seios
Logo p'la manhã?
Quantas vezes
Interrogastes, ao espelho, os seios?
Tão tolos os teus seios! Toda a noite
Com inveja um do outro, toda a santa
Noite!
Quantos seios ficaram por amar?
Seios pasmados, seios lorpas, seios
Como barrigas de glutões!
Seios decrépitos e no entanto belos
Como o que já viveu e fez viver!
Seios inacessíveis e tão altos
Como um orgulho que há-de rebentar
Em deseperadas, quarentonas lágrimas...
Seios fortes como os da Liberdade
-Delacroix-guiando o Povo.
Seios que vão à escola p'ra de lá saírem
Direitinhos p'ra casa...
Seios que deram o bom leite da vida
A vorazes filhos alheios!
Diz-se rijo dum seio que, vencido,
Acaba por vencer...
O amor excessivo dum poeta:
"E hei-de mandar fazer um almanaque
da pele encadernado do teu seio"
Retirar-me para uns seios que me esperam
Há tantos anos, fielmente, na província!
Arrulho de pequenos seios
No peitoril de uma janela
Aberta sobre a vida.
Botas, botirrafas
Pisando tudo, até os seios
Em que o amor se exalta e robustece!
Seios adivinhados, entrevistos,
Jamais possuídos, sempre desejados!
"Oculta, pois, oculta esses objectos
Altares onde fazem sacrifícios
Quantos os vêem com olhos indiscretos"
Raimundo Lúlio, a mulher casada
Que cortejastes, que perseguistes
Até entrares, a cavalo, p'la igreja
Onde fora rezar,
Mudou-te a vida quando te mostrou
("É isto que amas?")
De repente a podridão do seio.
Raparigas dos limões a oferecerem
Fruta mais atrevida: inesperados seios...
Uma roda de velhos seios despeitados,
Rabujando,
A pretexto de chá...
Engolfo-me num seio até perder
Memória de quem sou...
Quantos seios devorou a guerra, quantos,
Depressa ou devagar, roubou à vida,
À alegria, ao amor e às gulosas
Bocas dos miúdos!
Pouso a cabeça no teu seio
E nenhum desejo me estremece a carne.
Vejo os teus seios, absortos
Sobre um pequeno ser.
In Alexandre O'Neill. Poesias Completas.
Lisboa: Assírio & Alvim, 2005
"A mão que me sustenta e eu sustento
é mão capaz das vinte e cinco linhas
e do selado azul de um requerimento
ou doutras diligências comesinhas..."
Alexandre O'Neill,
por aly . 1:56 PM .
Sábado, Julho 12, 2008
Foto de Mário de Andrade por B.J. Duarte, 1930
Dizem que sou modernista e... paciência! O certo é que jamais neguei as
tradições brasileiras, as estudo e procuro continuar a meu modo dentro delas.
É inconstestável que Gregório de Matos, Dirceu, Álvares de Azevedo, Casimiro
de Abreu, Euclides da Cunha, Machado de Assis, Bilac ou Vicente de Carvalho
são mestres que dirigem a minha literatura. Eu os imito.
O que a gente carece é distinguir tradição e tradição. Tem tradições móveis
e tradições imóveis. Aquelas são úteis, têm importância enorme, a gente as
deve conservar talqualmente são porque elas se transformam pelo simples
fato da mobilidade que têm. Assim por exemplo a cantiga, a poesia, a dança
populares.
As tradições imóveis não evoluem por si mesmas. Na infinita maioria dos casos
são prejudiciais. Algumas são perfeitamente ridículas que nem a "carroça" do
rei da Inglaterra. Destas a gente só pode aproveitar o espírito, a psicologia e
não a forma objetiva.
A tolice básica da arquitetura "neo-colonial" está nisso: pegaram, a maioria,
nas formas decorativas coloniais, reduziram elas a fórmulas, que ajuntaram
rastaqüeramente, dentro do espírito de arrivismo que domina as partes
progressistas do país. O resultado foi que 89 por cento das feitas são
aleijões medonhos.
Mário de Andrade in O Turista Aprendiz: Viagens pelo Amazonas até
o Peru, pelo Madeira até a Bolívia, por Marajó Até Dizer Chega*.
São Paulo: Duas Cidades, 1976.
Estabelecimento de texto, introdução e notas por Telê Porto Ancona Lopez.
*Nota d'aly:
O título do livro acima era como Mário de Andrade nomeava os escritos
sobre suas andanças pelo norte do Brasil, aos que a editora desta edição
somou outras perambulações pelo nordeste e o intitulou O Turista Aprendiz.
Peço licença à editora da liberdade de citar este livro pela nomeação de parte
dele, com o intento de saborear seu primeiro título, da prima viagem de Mário
pelas terras (e muitas águas) setentrionais do Brasil.
"O desarranjo exterior, essa espécie de desânimo que só
espera notícias, isso ainda não me faria muito mal, o pior
é assim o ar de estrépito da minha psicologia assombrada."
Mário de Andrade,
por aly . 1:14 PM .
Domingo, Julho 06, 2008
Shalom Harlow em foto de François Nars: Snow White and the Seven Dwarfs, 2007
ERA UMA VEZ...
Uma linda princesa chamada Branca de Neve, cuja beleza desabrochava
dia-a-dia, causando inveja em sua madrasta, a rainha. Todos os dias, a
rainha perguntava ao seu Espelho Mágico quem era a mulher mais bela
do reino. Enquanto o espelho respondia que sua beleza reinava suprema,
tudo corria bem.
Até o dia, contudo, que o espelho respondeu à habitual pergunta com
uma revelação: "Branca de Neve é a mais bela do reino", um fato que
também já havia chamado a atenção de um atraente príncipe.
(E por aí vai a sinopse da Walt Disney Productions Inc. Company S.A.)
"O mundo não dá a ninguém inocência nem garantia." João Guimarães Rosa,
por aly . 6:43 AM .
Terça-feira, Julho 01, 2008
Ilustração de Gabriel Moreno
BOTÂNICA
À Maria Christina Menezes
Para quem ama,
estrada estéril,
vale o cordial
buquê da amada.
aly. Opera Minima: Fonografias (no preprelo)
"Eu vim para entregar esta carta."
Charlotte Corday em Perseguição
e Assassinato de Jean-Paul Marat
de Peter Weiss,
por aly . 6:07 PM .
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