Quarta-feira, Novembro 30, 2005

bucolicasatyro0236AA
Fauno
(circa 220 dC), oggi na Galeria Borghese



BUCÓLICA II

Alvêntias tretanias balouçavam
nos girântios de almocriz.
Passavam géulas em bando
na busca dos drídeos.
As nuvens ernosas pesavam
de jutulas prestes a desabar.
A terra farpídia e túrpera
esfarelava-se sob
o inclemente trípio.

aly. Opera Minima: Fonografias (no preprelo)

Um fauno é um fauno é um fauno: e,

por aly . 10:37 AM .

Segunda-feira, Novembro 28, 2005

BOVINO_OLHAR1ccMark Tansey, The Innocent Eye Test, 1981, oil on canvas, Metropolitan Museum of Art, NY


Bucólica I

Vaca leiteira
no pasto semântico
que leitura!

aly. Opera Minima: Fonografias (no preprelo)


"Quem quer viver faz mágica." JGRosa em -Uai, Eu?: no Tutaméia,

por aly . 4:21 PM .

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

RODNEY_SMITH4
Foto de Rodney Smith


SEDUÇÃO

Em língua alemã, die Verführung (a sedução) conservou
seu sentido etimológico, que é um sentido ativo. Trata-se
sobretudo de enganar, induzir em erro, desviar, corromper,
abusar. É sempre esse sentido que está implicado nos textos
que nos ocupamos: a ação sedutora. Der Führer é o chefe,
o guia, como se sabe; verführen (o verbo) implica não
somente seduzir mas subornar e perverter; der Verführer é
aquele que desvia, Don Juan, "o abusador" de Sevilha e de
outros lugares. Die Verführung se traduz no melhor sentido
por desvio ou desencaminhamento. Em alemão a sedução
de uma criança é o estupro.

Em francês, essa palavra é utilizada em seu sentido passivo;
é o meio de encantar; é a atração espontânea ou artificial,
armadilha do desejo do outro. Em francês, a sedução de uma
criança é o seu encanto.

In Pierre Sabourin. Ferenczi: Paladino e Grão-Vizir Secreto.
São Paulo: Martins Fontes, 1988.

"A sedução é a pior das tiranias." M. Merleau-Ponty,

por aly . 11:50 PM .

Segunda-feira, Novembro 21, 2005

DICCIONARIO
DOS SYNONYMOS

POETICO E DE EPITHETOS
DA
LINGUA PORTUGUEZA

POR
J.- I. ROQUETE
E
JOSÉ DA FONSECA

PARIS: GUILLARD & AILLAUD, 1892


333.- Dom, dadiva, donativo, presente, mimo.

Do verbo do ou dono, eu dou ou doto, vem as tres
primeiras palavras, que indicão sua acção com mais
ou menos extensão ou com alguma circumstancia
particular. Dom e dadiva é uma graça ou favor que se
concede a alguém sem que haja obrigação para isso: dom
é porêm mais genérico e comprehende os dotes ou boas
qualidades que recebemos da natureza, e dadiva refere-se
principalmente a objetos e alfaias. O donativo, ainda que
é um dom gratuito, ou que como tal se olha, leva com sigo
a idéa d'um soccorro ás vezes gracioso porêm quase sempre
directa ou indirectamente forçado, que os povos fazem ao
príncipe para ajudal-o em casos extraordinarios e urgentes.

Presente significa o dom presente, o que temos diante, o que
se presenta como dadiva, o que se dá de mão a mão, praesens
quod manu datur
, disse Cícero, em opposição a outros dons
feitos de differente modo.

O mimo é um presente pouco importante em si mesmo, mas
que suppõe livre vontade, affecto, agrado, provas de amor,
de amizade e de estima. Consiste commummente em cousas
gratas e novas, que se apprecião mais pelo delicado e
affectuoso da acção, que pelo que valem. - Os mimos
reciprocos são signaes de lembrança, testemunhão affecto
e gratidão, mantem a amizade, e allivião as saudades.



É para você, Maria Fernanda, este post, este mimo, neste dia,

por aly . 6:07 AM .

Quarta-feira, Novembro 16, 2005


Pablo Ruiz Picasso por Irving Penn, 1957


LOS OJOS DE PICASSO

Siempre es todo ojos.
No te quita los ojos.
Se come las palabras con los ojos.
Es el siete ojos.
Es el cien mil ojos en dos ojos.

El gran mirón
como un botón marrón
y otro botón.
El ojo de la cerradura
por el que se ve la pintura.
El que te abre bien los ojos
cuando te muerde con los ojos.
El ojo de la aguja
que sólo ensarta cuando dibuja.
El que te clava con los ojos
en un abrir y cerrar de ojos.

Rafael Alberti, 1966 (fragmento)

"Um fato é aquilo que não necessita de significação". Paul Valéry,

por aly . 6:45 AM .

Quinta-feira, Novembro 10, 2005

PLAZA-TORRE
Torre de la Iglesia de San Justo y Pastor, en la Plaza Mayor
de Navalmanzano, provincia de Segovia, España, año 1950



9

La plaza tiene una torre,
la torre tiene un balcón,
el balcón tiene una dama,
la dama una blanca flor.
Ha pasado un caballero
- ¡ quién sabe por qué pasó ! -,
y se ha llevado la plaza
con su torre y su balcón,
con su balcón y su dama,
su dama y su blanca flor.

Antonio Machado: Consejos, Coplas,
Apontamentos
in Antologia Poética.
José Bento (Selecção, tradução,
prólogo & notas).
Lisboa: Cotovia, 1999.
(Edição bilíngüe)

"Non te mueras
porque se te mueres
te mato" (Anônimo mexicano)
,

por aly . 6:41 AM .

Segunda-feira, Novembro 07, 2005

LEDA_RALPH_GIBSONBB
Leda por Ralph Gibson, 1974. (Após a partida do Cisne)


LEDA AND THE SWAN

A sudden blow: the great wings beating still

Above the staggering girl, her thighs caressed
By the dark webs, her nape caught in his bill,
He holds her helpless breast upon his breast.

How can those terrified vague fingers push
The feathered glory from her loosening thighs?
And how can body, laid in that white rush,
But feel the strange heart beating where it lies?

A shudder in the loins engenders there
The broken wall, the burning roof and tower
And Agamemnon dead.
Being so caught up,

So mastered by the brute blood of the air
Did she put on his knowledge with his power
Before the indifferent beak could let her drop?
William Butler Yeats


LEDA E O CISNE

Súbito golpe: as grandes asas a bater 

Sobre a virgem que oscila, a coxa acariciada
Por negros pés, a nuca, um bico a vem reter;
O peito inane sobre o peito, ei-la apresada.

Dedos incertos de terror, como empurrar
Das coxas bambas o emplumado resplendor?
Pode o corpo, sob esse impulso de brancor,
O coração estranho não sentir pulsar?

Um tremor nos quadris engendra incontinenti
A muralha destruída, o teto, a torre a arder
E Agamêmnon, o morto.
Capturada assim,

E pelo bruto sangue do ar sujeita, enfim
Ela assumiu-lhe a ciência junto com o poder,
Antes que a abandonasse o bico indiferente?
Tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos


Sobre o poema:

Uma visão mítica ou instantânea do início, meio e fim
de um ciclo histórico: a Guerra de Tróia.

Como Spencer, Yeats inclui os espectadores no ritual,
ao fazê-lo acontecer no instante presente.

O realismo de Yeats é simbólico: Leda e seu cisne
não são os componentes de algum outro mundo, mas
eles mesmos um mundo.

Marshall MacLuhan e Harley Parker in
O Espaço na Poesia e na Pintura:
Através do Ponto de Fuga

São Paulo: Hemus, 1975.

Leda por Rubens, Boucher, Correggio, Ammanati,
Pontormo, Tintoretto, Michelangelo,

por aly . 3:24 AM .

Quarta-feira, Novembro 02, 2005

DARK_AUTORETRBB
aly, auto-imago


FRAGMENTO 1

Me quer? Não me quer? As mãos torcidas

os dedos
despedaçados um a um extraio
assim se tira a sorte enquanto
no ar de maio
caem as pétalas das margaridas
que a tesoura e a navalha revelem as cãs e
que a prata dos anos tinja sem perdão
penso
e espero que jamais alcance
a impudente idade do bom senso

Vladímir Maiakóvski. Fragmentos
in
Poemas. São Paulo:
Perspectiva,
1989

Tradução: Augusto de Campos

"Nesta vida morrer não é difícil,
difícil é a vida e seu ofício".
Maiakóvski a Iessiênin, 1926,

por aly . 7:36 PM .



Tudo cabe, mesmo o descabido.
A vida não é um armário.





Desde
14 novembro 2002



falar comigo



Blogues

almanaque
apenas bahia
almocreve das petas
aqui tem coisa
armazém periscópio
assaz atroz
a terceira noite
atire no dramaturgo
a vez do peão
biscoito fino e a massa
blog do emir
blog do mello
bloWg
b-site
caderno de saramago
clave do sul
catarro verde
dadanoias
da literatura
diário gauche
do arco da velha
dudi
ferréz
fotocafé
frenesi::livros
gramatologia
grupo beatrice
homo luddens
icamiaba
inmanencia
insônia
la petite claudine
legendas & etc
luís nassif blog
marcio périgo
ma-schamba
meditação na pastelaria
memória inventada
miniscente
na periferia do império
nas retinas
naxos
nei lopes
observador
óleo do diabo
olhos livres
o silêncio dos livros
pimenta negra
porto::lisboa
pedro doria
Poesia & Lda.
prosa caótica
república do café
riobaldo & diadorim
roserouge absolutely
rua da judiaria
samurai no outono
sapoti da japaranduba
sem pénis, nem inveja
sheila leirner
silêncio
silvia chueire
sorry periferia
sob(re) a pálpebra
teresa-torga
uma geógrafa
varal de ideias
vigna-marú
vi o mundo
xico sá
who killed bambi?



Links

acervo hermínio bello de carvalho
adital
antroposmoderno
artemeditada
asdfg, menezes
beijo da rua
bloco lira da vila
blogmarks
blue bus
brasil de fato
brasilian music
caros amigos
carta capital
carta maior
cifra antiga
cinefagia
contracampo
contratiempo
conversa afiada
correio da cidadania
cosac & naif
cronópios
delicious cimatti's bookmarks
ejército zapatista de liberación nacional
fausto wolff
gafieiras
internet archive
henciclopedia
jangada brasil
júlio medaglia
kinja bsiteblog's mix
la fogata
la gauche
la haine
la insignia
la jornada
mídia latino-americana
minguante
musica brasiliensis
novae
obvious
página/12
piel de leopardo
plínio marcos
projeto releituras
PUCMinas
rebelión
repórter brasil/combate à escravidão
resistir
revista fórum
revuelta
rue89
samba & choro
sin permiso
todo tango
ubu web
ver O poema
voltaire net
WebUrbanist
zezão



Arquivos




Letteri Café
at
The Ten Best Art
And Culture Websites
In The World by
Spank The Monkey





template:
Rossana Fischer